31 dezembro 2007

Feliz Ano Novo....

Ao anoitecer,
crianças
filipinas
soam
trompetas
de brinquedo
na baía de
Manila.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/album/071231anonovo_album.jhtm?abrefoto=30

29 dezembro 2007

A eternidade...

"...vivemos
exclusivamente
no presente
pois sempre e
eternamente
é o dia de hoje,
e o dia de amanhã
será hoje,
a eternidade
é o estado das
coisas neste
momento"
Clarice Lispector

18 dezembro 2007

Desfile A moda e a morte...

Para o poeta italiano Giacomo Leopardi a moda e a morte nasceram da caducidade. Cada uma à sua maneira busca a novidade. Ambas usam de artimanhas para encontrar o "novo", vivem continuamente mudando e desfazendo as coisas para alcançarem seus objetivos. A linha que separa a moda e a morte é traçada alegoricamente, ou seja, o seu real significado encontra-se sempre encoberto por algo que nunca tem sentido literal. O Diálogo de Leopardi inspirou essas roupas que foram configuradas e realizadas pelos alunos do primeiro, segundo, terceiro e quarto períodos do curso de design de moda do UNIBH, orientados por mim antes de desligar-me dessa instituição, como atividade da disciplina Laboratório de Criação. O desfile foi realizado no dia 26 de novembro de 2007, no auditório Ney Soares.
Foto e objeto: Raphael Ribeiro.
Veja mais fotos e vídeos em http://www.flickr.com/photos/raphaelribeiro
e em http://picasaweb.google.com.br/lfsantiago

13 novembro 2007

O passado no presente...


"... está
enigmática
necessidade
de sensações
foi desde
sempre
satisfeita
pela
moda..."
Honoré de Balzac

06 novembro 2007

Diálogo da moda e a morte

Coleção
Inverno 2005.
John Galliano
para Dior.
Inspiração
Marquês de Sade.











Mais imagens:
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Diálogo da moda e a morte

"MODA: Senhora Morte! Senhora Morte!

MORTE: Espere até a hora em que virei sem que me chames.

MODA: Senhora morte!

MORTE: Vai pro diabo! Virei só quando não quiseres.

MODA: Como se eu não fosse imortal!

MORTE: Imortal? “Passado é já mais do que o milésimo ano”, depois que se acabaram os tempos dos imortais.

MODA: Também a senhora “petrarqueia” como se fosse um poeta italiano do século XVI ou do XVII?

MORTE: Os versos de Petrarca me são queridos, porque neles encontro o meu Triunfo e porque falam de mim quase em toda parte. Mas, enfim, sai daqui.

MODA: Vamos, pelo amor que tens aos sete vícios capitais, fica um pouco e olha para mim.

MORTE: Estou olhando.

MODA: Não me conheces?

MORTE: Deveria saber que não tenho boa vista e que não posso usar óculos, porque os ingleses não fazem um que me sirva, e ainda que o fizessem não tenho onde apoiá-los.

MODA: Sou a Moda, tua irmã.

MORTE: Minha irmã?

MODA: Sim. Não te lembras que nós duas nascemos da Caducidade?

MORTE: Que tenho eu de me lembrar, se sou inimiga da memória?

MODA: Mas eu me lembro muito bem e sei que ambas vivemos continuamente a desfazer e mudar as coisas aqui embaixo, apesar de ires, para isso, por um caminho e eu, por outro.

MORTE: Se por acaso não estás falando contigo mesma ou com alguém que esteja na tua garganta, eleva mais a voz e articula melhor as palavras; porque se ficares murmurando entre os dentes com essa vozinha de aranha eu te compreenderei só amanhã, porque o ouvido, como sabes, não me serve melhor do que a vista.

MODA: Se bem que seja contrário ao hábito, e na França não se costuma falar para ser ouvido, mesmo porque somos irmãs e entre nós não precisamos de cerimônia, falarei contigo como quiseres. Digo que a nossa natureza e hábitos comuns são de renovar continuamente o mundo, mas desde o princípio te concentras nas pessoas e no sangue; e eu me satisfaço, no máximo, com as barbas, com os cabelos, com as roupas, com os utensílios domésticos, com as mansões e coisas que tais. É bem verdade que nunca deixei e ainda faço jogos que se comparam aos teus, como, por exemplo, furar as orelhas, os lábios e rasgar os narizes com insignificâncias que penduro neles; queimar as carnes dos homens com figuras incandescentes, que eu mando marcar para efeito estético; deformar a cabeça dos meninos com faixas e outras engenhocas, induzindo, como hábito, a que todos os homens tragam uma figura na cabeça, como na América e na Ásia; estropiar as pessoas com sapatos apertados, sufocá-los e fazer que os olhos saltem com o aperto dos corpetes e um sem-número de coisas desse tipo. Aliás, geralmente falando, persuado e constranjo os homens elegantes a suportarem todos os dias mil dificuldades e incômodos, muitas vezes dores e sofrimentos, e, algumas, a morrer gloriosamente pelo amor que me têm. Nem te digo nada das dores de cabeça, dos resfriados, dos defluxos de toda sorte, das febres diárias, terçãs, quartãs, que os homens ganham por obedecer-me, consentindo em tremer de frio ou sufocar de calor, conforme eu queira, em protegerem as costas com lãs, o peito com tecidos diversos e fazerem tudo a meu modo, ainda que seja em detrimento deles.

MORTE: Concluindo, creio que sejas minha irmã e se quiseres defenderei essa idéia como mais certa do que a morte, sem precisar da certidão de fé do pároco. Mas estando assim parada eu desfaleço, e se te animares em correr ao meu lado, trata de não te acabares, porque eu agüento bastante e assim podes contar as tuas necessidades; senão, em consideração ao nosso parentesco, prometo que, quando morrer, te deixo tudo o que é meu e te digo adeus.

MODA: Se tivéssemos que participar juntas no jogo do pálio não sei qual das duas venceria a prova, porque, se correres, eu vou mais depressa do que a galope; e se ficares num lugar parada e desmaiares, me desfaço. Assim, recomecemos a correr e juntas falaremos sobre nossos casos.

MORTE: Vamos com calma. Pois, uma vez que tu nascente do corpo de minha mãe seria conveniente que me servisses de algum modo para realizar os meus negócios.

MODA: Eu já fiz muito mais no passado do que pensas. Em primeiro lugar, sou eu quem anula e transforma continuamente todos os hábitos; jamais deixei que se negligenciasse a prática de morrer, vê que ela dura universalmente até hoje desde o princípio do mundo.

MORTE: Grande milagre que não tenhas feito o que não podias!

MODA: Como não podia? Demonstras não conhecer a força da Moda.

MORTE: Tudo bem: disso teremos tempo para discorrer, quando vier a moda perene. Mas enquanto isso gostaria que tu, como boa irmã, me ajudasses a obter o contrário mais facilmente e mais depressa do que fiz até agora.

MODA: Já te falei de algumas obras minhas que te são de muito proveito. Mas elas são risíveis perto das que vou te contar. Um pouco por vez, e mais nestes últimos tempos, para favorecer mandei desatualizar e deixar no esquecimento os trabalhos e os exercícios que convêm ao bem-estar corporal, e, introduzindo-os ou valorizando-os, incontáveis pessoas sacrificam o corpo e encurtam a vida. Além disso implantei no mundo tais ordem e tais costumes que a própria vida em relação ao corpo, como à alma, está mais morta do que viva: tanto que este, pode dizer-se em verdade, é o século da morte. E antigamente, tu não tinhas outras propriedades a não ser cavernas onde semear os ossos e pó no escuro, que são sementes que não brotam; agora tens terrenos ao sol e gente que se move e anda com os próprios pés; pode-se dizer que são coisas da tua livre razão e embora não tenhas colhido tens de tolerar que elas nasçam. E mais, antes eras odiada e injuriada; hoje, por obra minha, as coisas são reduzidas a tais termos que qualquer um que tenha cérebro te aprecia e te louva, sobrepondo-te à vida e te quer tão bem que sempre te chama e volta os olhos a ti como à sua maior esperança. Finalmente, por ver que muitos se vangloriavam em tornar-se imortais, isto é, não morrendo inteiramente, uma boa parte deles não chegaria às tuas mãos, embora eu soubesse que isso não passasse de conversa e que esses e outros vivessem na memória dos homens; eles viviam, por assim dizer, de brincadeira e não gozavam da fama mais do que se sofressem com a umidade da sepultura; como quer que seja, compreendendo que o negócio dos imortais te irritava porque parecia abater a tua honra e reputação, acabei com a moda de procurar imortalidade, e mesmo de concedê-la no caso de alguém merecê-la. Assim, no presente, podes ficar certa disso, quem quer que morra não deixará uma migalha viva e lhe convirá rapidamente levar tudo para baixo da terra como um peixinho abocanhado com cabeça e espinhas. Acho fiz essas coisas, que não são poucas nem pequenas, até agora por amor a ti, querendo aumentar o teu poder na terra, como tem acontecido. E para alcançar esse objetivo estou disposta a fazer outro tanto, e mais, a cada dia; foi com essa intenção que andei te procurando; a propósito, parece-me que, daqui por diante, não devemos sair uma de perto da outra, porque, estando sempre em companhia, poderemos consultar-nos com freqüência, conforme os casos, e tomar o melhor partido, como aperfeiçoar a execução deles.

MORTE: É verdade, e assim quero que se faça.”

LEOPARDI,Giacomo. Diálogo da moda e a morte. Poesia e Prosa; organização e notas, Marco Lucchesi; [traduções, Afonso Félix de Sousa... et al.] Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996.

22 outubro 2007

Moda: um olhar para o futuro

A cultura da moda consciente está ocupando cada vez mais espaço no mundo fashion. Marcas e estilistas prestigiados buscam novas formas para o desenvolvimento de roupas e acessórios usando tecidos de fibras naturais de plantas organicamente cultivadas e material descartado. Ao mesmo tempo surgem empresas preocupadas com a dignidade do trabalho humano, assegurando aos trabalhadores relações mais éticas. Esta nova postura é o fio condutor para o desenvolvimento de objetos de moda ética e ecologicamente corretos.

Por outro lado, os cuidados com o meio ambiente exigem consumidores mais conscientes, capazes de tomar pequenas iniciativas como separar o próprio lixo, usar sacolas de tecido, comprar alimentos orgânicos etc., buscando coletivizar atitudes menos predatórias.

As aulas da disciplina Laboratório de Criação têm como objetivo possibilitar a configuração e o desenvolvimento de objetos a partir do aproveitamento de materiais aparentemente inúteis, estimulando a percepção e a capacidade expressiva no trato com esses materiais e buscando nos mesmos qualidades plásticas que são imediatamente irreconhecíveis para a maioria das pessoas. Nesse trabalho, buscamos desenvolver um olhar atento, observador e responsável das coisas prosaicas da vida cotidiana e dar a esse material um novo uso ou, ainda, descobrir a beleza onde ela não está visível.

As roupas e objetos que agora são expostos pelo alunos do primeiro e terceiro períodos do Curso Tecnológico de Design de Moda do UNIBH fazem relação com o passado, com o presente e (principalmente) com o futuro. Numa tentativa de descobrir novos usos para esses materiais e produzir menos lixo, construimos peças que nos levam ao encontro daquelas dimensões mais humanas da nossa existência, tentando compreender o que já dissera o escritor mexicano Octavio Paz: “o artista deseja conquistar a eternidade, e o designer, conquistar o futuro; o artesão deixa-se conquistar pelo tempo”. O que nos orientou nesse semestre foi a consciência de que trabalhar com moda, no tempo em que vivemos, é percorrer muitos outros caminhos, romper fronteiras, vislumbrar novas perspectivas.

Lucia Santiago

Autores dos objetos Pollyanna Silva Pereira e Raphael Gonçalves Ribeiro

Fotografia Raphael Gonçalves Ribeiro

Mais imagens: http://www.flickr.com/photos/raphaelribeiro

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18 setembro 2007

Angelus Novus


"Minhas asas estão prontas para o vôo,
se pudesse, eu retrocederia
Pois eu seria menos feliz
Se permanecesse imerso no tempo vivo."
Gerhard Scholem,
Saudação do anjo.
Paul Klee 1932.

10 setembro 2007

Greenaway pinta outro quadro estático



Rembrandt y Caravaggio crearon un género negro. Sus telas eran oscuras, y de ellas brotaban dramáticas formas de luz. El cuadro más célebre de Rembrandt, La ronda nocturna, contiene muchas rarezas (figuras inexplicables, gestos absurdos, símbolos misteriosos) y esconde, se supone, algún tipo de mensaje en clave. El claroscuro barroco y un supuesto asesinato desvelado por la tela componen el intrigante punto de partida de Nightwatching, el filme de Peter Greenaway que concursa en la 64ª Mostra de Venecia. El punto de llegada resulta más discutible.
El País. Cultura. 7/9/2007.